Hellboy 2 - O Exército Dourado


Não, eu não gostei.

Na verdade é o primeiro filme baseado em quadrinhos em que eu corro um SÉRIO risco de CAIR NO SONO!

Ele tem seus pontos fortes, não me entenda mal:

1 - A Selma Blair continua uma excelente atriz, além de linda.

2 - As cenas de ação são fantásticas, com certeza pontos altos do filme. Especialmente as cenas de luta do vilão contra o protagonista. Mas se NEM ISSO fosse bom o filme nem teria SAÍDO, né?

3 - Abraham Sapien! Sim, TUDO o que ele faz!

E é isso!

De resto, o filme se perde completamente em um enredo labiríntico, e sinceramente?
Bem chatinho…

O problema não é a falta de fidelidade aos quadrinhos, pois o primeiro também muda BASTANTE as interações entre os personagens (nos quadrinhos a Liz é como uma IRMÃ pro Hellboy, não um interesse romântico), e mesmo as histórias pessoais dos mesmos, mas nem por isso deixa de ser um EXCELENTE filme.

O problema é que nesse segundo filme FALTA o que o primeiro ESBANJA:

Tridimensionalidade nos personagens.

A Liz Sherman torna-se uma caricatura de si mesma, passando de morena problemática de personalidade tão quente quanto o seu fogo, pra firebender de TPM.

O Tom Manning deixa de ser aquele burocrata pilantra que odeia as “aberrações” do BPRD e se torna uma versão live-action da Hiena Hardy.

O personagem Johann Kraus, além de ser MUITO mal aproveitado, é introduzido de uma maneira
não-orgânica, parecendo que está lá apenas pra agradar aos fanboys de
plantão.

Até mesmo o Ron Perlman, que esteve tão bem na pele do vermelhão no primeiro filme, dá uma interpetação que parece forçada. As piadinhas não vem tão naturalmente. E não dá mais pra ACREDITAR que aquele é o Hellboy MESMO e não um cara pintado de vermelho.

O único que se salva é o Doug Jones, que dá uma interpretação fantástica de um Abe Sapien Apaixonado. Uma pena o interesse romântico dele ter a profundidade de uma GILETE.

E isso se estende inclusive para o grande vilão do filme, o príncipe Nuada.

Percebe-se que o objetivo foi introduzir um personagem ambíguo, que não é totalmente mau, e nem está totalmente ERRADO em suas ações, mas a única coisa que se consegue é um personagem CHATO, com o qual vc não consegue nem SE IMPORTAR, ainda mais torcer contra.

No fim Hellboy II - O Exército Dourado dá a impressão de ter sido feito apenas para faturar no sucesso de filmes como Homem de Ferro e The Dark Knight, porém, ao contrário desses dois, apresenta um roteiro muito fraquinho.

***

É clara a intenção de conquistar um público mais infantil, mas sinceramente?

Pouca idade não é sinônimo de idiotice.

Eu SEMPRE gostei de filmes com roteiro coerente e interessante, mesmo quando era moleque.

Talvez se os formadores de opinião parassem de subestimar a inteligência das crianças, a civilização ocidental não estaria em franca decadência, e a oriental (que não trata suas crianças como seres ACÉFALOS), em plena ascenção.


Heroes - Episódios 01 e 02


Esse ano eu pretendo resenhar todos os episódios de Heroes, acompanhado a evolução dos personagens depois da controversa segunda temporada.

Houveram, sem dúvida alguma, problemas com os roteiros da temporada anterior, causando uma grande quantidade de insatisfação nos fãs da série.

Pessoalmente eu gostei, apesar de concordar que alguns personagens saíram por certas tangentes absolutamente desnecessárias. E outros, como Maya e Alejandro, eu pessoalmente TORCIA pra terem a tampa da cabeça arrancada pelo Sylar.^_^

A temporada anterior também teve o problema de ter sido escrita às vésperas de uma greve geral do Writers Guild Of America, o que eu acho que afetou e MUITO o resultado final.

A terceira temporada começou essa segunda-feira com um episódio duplo e CHUTANDO BUNDAS!!!
 
Não que não hajam certos probleminhas, mas é ESSA a diversão de resenhar.


SPOILER ALERT! Se vc ainda não assistiu ao episódio e não quer estragar a surpresa, melhor ir baixar, assistir e DEPOIS voltar aqui pra dizer que eu sou um idiota e que eu não sei o que falo.


Episódio 01: “The Second Coming”

Começamos a temporada novamente no futuro, mas dessa vez o foco da ação é o Peter, correndo em direção à/de alguma coisa.
Ele acaba topando com a Claire morena (e meio periguete) do futuro e quase tomando uma bala na cabeça.
Mas os poderes do Hiro acabam vindo a calhar e ele escapa.
Acabamos descobrindo QUEM mete uma bala no peito do Nathan no final da temporada anterior, numa sacada fantástica (e ao mesmo tempo, meio clichezenta) por ser COMPLETAMENTE inspirada em quadrinhos.

Hiro e Claire continuam meio sem ter muito o que fazer depois das conclusões de seus arcos na temporada passada, mas isso é rapidamente resolvido.
Pro Hiro é a aparição do advogado da família, e pra Claire a aparição do marido da minha irmâ, o arranca-tampa-de-cabeça, o primeiro e único… Sylar!
E então chagamos ao que é, na minha opinião, a primeira CAGADA da temporada, pois o que acontece entre a Claire e o Sylar, além de nojento (palavras DELE, não minhas) meio que ANULA COMPLETAMENTE o plotline “Save the cheerleader, save the world” da primeira temporada, porque aparentemente ela nunca precisou ser salva pra começo de conversa. :/

Cortamos para o apartamento de Mohinder e Matt, onde Maya está hospedada, magicamente sem sotaque, sem choradeira… e quase sem roupa.
Molly foi despachada de avião pro “gigantesco limbo das crianças chatas de seriado” (adorei a frase, Ana), e o Mohinder começa a temporada como sempre…
Fazendo pirraça e querendo ir embora pra Índia. Pena que ele nunca consegue…
Dessa vez quem impede ele é a Maya, com seus enormes peitos pulando pra fora da blusa apelos para que ele encontre uma cura para ela.
No fim das contas ele acaba vendo nisso uma oportunidade inestimável de fazer mais bobagem pesquisa e resolve ficar.
E no meio disso tudo descobrimos mais à respeito das origens dos poderes dos personagens.

Hiro continua desobedecendo ao pai mesmo depois de morto, e como sempre isso causa um problema que ele e o Ando vão passar o resto da temporada resolvendo. Se eles conseguirem se acertar, lógico, porque o Hiro vai ao futuro e vê que o Ryu Ando sofreu certas mudanças. Somos introduzidos a uma nova personagem, a primeira velocista da série.

Nathan (sim, ele sobrevive, vcs acharam mesmo que depois de ter sobrevivido ao fim da primeira temporada uns tirinhos no peito iam dar cabo dele?) descobre a religião ou pira, não dá pra ter certeza de qual.

Temos a volta do melhor vilão que a série já teve, na minha opinião.

E a Niki também está de volta, só que não é a Niki… ou é? A essa altura eu já perdi o fio da meada…

Mohinder não quer mais ser o único que não pode brincar.
Bom, eu também não iria querer.


Episódio 02: “The Butterfly Effect”

O segundo episódio da temporada foi ao ar imediatamente após o primeiro, continuando exatamente de onde havíamos parado.

Claire descobre que seu encontro com Sylar causou uma evolução fantástica, apesar de indesejada, em seus poderes.

No episódio anterior descobrimos que os sonhos premonitórios que Peter tinha no começo da primeira temporada foram herdados de sua mâe, Angela, e ela tem um MEGA pesadelo onde vemos os heroes sendo estraçalhados pelos vilões, alguns conhecidos, um novo, e uma que nós não esperávamos estar lá.

Angela tem uma conversinha de mãe pra filho com Peter do futuro, com aquele tato e carinho que só ela sabe oferecer.

Maya vai procurar Mohinder e nós temos o “momento pessoas morenas sem roupa” número dois desse início de temporada com o Mohinder sem camisa brincando de Homem-Aranha. O desfile de pele à mostra entre esses dois acaba tendo sua conclusão mais lógica e eles acabam por se conhecer melhor no sentido bíblico da palavra.

Sylar brinca um pouquinho com dois agentes da Section Five, e a Veronica Mars Elle toma bronca do Daddy dela.
Mas peraí… Ela não tinha gostado de ser heroína no final da temporada passada?
Voltou a ser pau-mandado porque?
Mas enfim, pelo menos até o fim do episódio ela tem a GARANTIA de que o papi dela NUNCA mais vai encher o saco.
Uma pena ela descobrir que existem pessoas que sabem brincar ainda menos que ele…
Ah, quer saber? BEM FEITO!
Sacanagem dela passar batido pelo Weevil sem nem dar um oi.
E depois de tudo que eles passaram juntos…

Niki tem planos pro Nathan, só que a Niki não é a Niki, ela é a Tracy… Mas a Tracy não é uma personalidade da Niki?
Mas a Niki morreu no final da temporada passada… Mas então quem é essa mina?
Mas…
Mas…
Aaaah eu não entendo mais nada… Só sei que a Ali Larter, apesar de deslumbrante é uma SENHORA CANASTRA REAL.
DISSO eu tenho certeza…

Claire filosofa enquanto brinca com trenzinhos e o titio dela (que ironicamente é ex-emo) fala pra ela largar a mão de ser chorona.
Mas quando ela pede pra ele treina-la ele pula fora… Porque?
Porque aparentemente ele tem de ser mauzinho nessa temporada.
Ou isso ou eles querem reduzir o tempo de tela juntos desses dois á um mínimo pra não rolar uma vibe incestuosa por causa do namoro entre a Hayden Pannetiere e o Milo Ventimiglia.
Mas não se preocupem não, que daqui a pouco ela enjoa e dá um pé na bunda do tiozinho.

Hiro e Ando se vão caçar a “Girl-Flash” que os passou pra trás na primeira parte e o Hiro explica pro Ando porque ele tá-de-mal-com-sal-na-panela-do-mingau-e-guarda-um-pouco-pro-natal…
Aaah esses casais modernos…

Peter do futuro revela pro Nathan que irmão legal ele é o encoraja a aceitar a proposta da Niki/Jessica/Tracy/Canastrona, que por sua vez, nos dá uma amostra do QUÃO “Ice Queen” ela realmente é.
Se tornou.
Sempre foi.
WTF?!?!??!

E continuando com as referências à filmes FANTÀSTICOS de Ficção Científica, nós temos uma referência á um certo filme do Jeff Goldblum em que ele se transforma em um bicho nojento, protagonizada pelo cientista indiano sem camisa que todos nós amamos odiar.

Matt troca uma idéia com uma tartaruga. E temos a introdução de um novo personagem que tem a fineza de nos informar onde DIABOS o gordinho está.

Os dois Peters tem momentos de epifania.
Um se conscientiza de que é UMA BESTA, e o outro de que não gosta muito dos seus companheiros de viagem.

E para terminar as referências à grandes filmes desse episódio, Sylar tem um momento “Luke, I am your father.”

Tirações de sarro a parte eu achei um GRANDE começo para a terceira temporada da série, com MUITAS respostas a MUITAS perguntas, e MUITAS outras perguntas levantadas, só que ao contrário da segunda temporada, são perguntas que ESTAMOS INTERESSADOS em ter respondidas.

Só espero que continue disso pra melhor.


The Walking Dead

The Walking Dead é um título mensal publicado pela IMAGE COMICS à partir de 2003.
Roteiros: Robert Kirkman
Arte: Tony Moore (Ed. 01-06) e Charlie Adlard (edição 7 até hoje).

 
Já havia ouvido falar deste título à algum tempo, desde a primeira notícia de que haveria o lançamento de Marvel Zombies. Depois que LI MZ meu interesse aumentou, mas acabei deixando pra depois porque já haviam quase CINQÜENTA edições lançadas.
Acabei decidindo que não queria pegar esse bonde andando.

Até que, navegando outro dia pela internet eu tropecei em links pra TODAS as edições lançadas até hoje. E agora TWD é MAIS um título que eu aguardo ansiosamente todo mês

 
The Walking Dead acompanha as (acreditem) DESVENTURAS de Rick Grimes, um policial de uma cidadezinha do Kentucky, tentando sobreviver e proteger seus entes queridos e algumas outras pessoas que ele encontra pelo caminho em um mundo dominado por Zumbis.

De acordo com a sinopse acima somos ERRÔNEAMENTE levados a crer que esse é apenas mais um quadrinho de terror nos moldes dos filmes de George A. Romero, clássicos do gênero “Gore”. E com certeza existem muitos elementos dos filmes citados no enredo, a grande diferença é que não existe um FOCO em entranhas arrastando pelo chão.

Ao contrário da maior parte das histórias do tipo, os personagens não são colocados em cena apenas para serem estraçalhados de maneira gráfica por Mortos-Vivos. TODOS os personagens têm TEMPO para se DESENVOLVER e adquirir um alto nível de TRIDIMENSIONALIDADE. E acima de tudo NÓS temos tempo para que possamos nos IMPORTAR com eles.
Assim, quando um deles encontra um fim trágico, a morte desse personagem REALMENTE nos afeta.

Certamente existem elementos de terror e Gore na história, mas eles servem à um propósito: mostrar a metamorfose que Rick e os outros personagens sofrem à medida que o tempo vai passando.
Como a vida em um mundo onde a esperança morreu e voltou dos mortos com fome por carne humana, muda às pessoas e as leva a fazer escolhas cada vez mais desumanas.

O próprio Kirkman diz no final do número 01 que aquela não é uma história de terror e sim de SOBREVIVÊNCIA e que, depois de um tempo, em uma releitura da primeira edição, seria difícil reconhecer o personagem principal.

A Arte das primeiras edições de The Walking Dead á absolutamente DESLUMBRANTE. Muitas pessoas não vão gostar da arte com fortes influências do Mangá de Tony Moore, mas na minha opinião ele é um SENHOR artista. A narrativa visual e movimento que ele imprime às suas páginas é algo que deveria ser o objetivo de TODO desenhista de quadrinhos.
Os tons de cinza digitais de Moore são absolutamente LINDOS e uma verdadeira AULA de luz e sombra.

O artista que veio a substituir Moore nas artes de interiores, Charlie Adlard, Segue um estilo muito mais convencional que, apesar de produzir cenas verdadeiramente ICÔNICAS, uma vez que ele “se encontra” no título, não possui METADE da habilidade de Storytelling que o primeiro artista possui.
Porém, com Adlard, a história se torna muito mais SOTURNA, muito mais AGOURENTA.
Ele consegue dar a sensação se SUFOCAMENTO que esse mundo possui.

 
The Walking Dead é uma verdadeira ANÁLISE da condição humana.
Um tratado sobre até onde somos capazes de descer para salvar nossa pele e proteger aqueles a quem amamos.
E a tristeza do resultado quando falhamos em quaisquer das instancias.

Absolutamente é uma leitura MAIS do que recomendada.


Mission statement

FINALMENTE resolvi mexer a bunda criar vergonha na cara ser mais pro-ativo e fazer um blog pra falar sobre o que eu mais entendo e curto nessa vida:
Arte Seqüencial.

Eu poderia falar “quadrinhos”, mas prefiro “Arte Seqüencial” porque eu acho que o escopo da coisa, especialmente hoje em dia com a “descoberta” das HQs por Hollywood, vai MUITO além de simplesmente fazer resenhas de lançamentos da Panini, Conrad, Mythos, Marvel, DC e tudo mais.
Até porque, além da Arte Seqüencial ser tão antiga quanto a ESCRITA, exemplificada em inúmeras pinturas em cavernas, o irmão mais velho das HQs, o Cinema, não deixa de ser uma… de 24 quadros por segundo.

O ponto principal desse blog e de TER um blog em si é OPINIÃO, é SAIR do lugar comum, é expor as pessoas não só a Títulos, Filmes, Escritores e Artistas que elas não conheçam, mas à OPINIÕES diferentes á respeito destes.

Espero que esse bichinho que acabou de nascer tenha uma longa e próspera produtiva vida. :p